Praia do Futuro (2014)

Praia-do-futuro

Uma tentativa falha de mostrar uma nova forma de romance para o público brasileiro. A trama conta parte da história do salva vidas Donato, um jovem com dúvidas sobre sua situação presente e com um grande amor pelo irmão mais novo, Ayrton. Após perder um turista durante um resgate no mar, conhece a companhia de seu parceiro alemão, Konrad. Ambos criam uma forte química que segue de uma bela paixão entre um novo casal. Ele começa a se perguntar se seu futuro realmente estava na praias de Fortaleza ou nas terras distantes alemãs junto do amante. Assim, decide enfrentar seus maiores medos de abandonar o irmão e a mãe, indo viver longe de todos sem nem ao menos avisar. Se segue uma série de conflitos entre os dois, desde momentos de ódio e discussão até uma paixão mais forte. Conforme os anos passam, o mergulhador se separa do Konrad e começa a trabalhar em um aquário de um luxuoso prédio comercial. Sua vida parece ser monótona, sem grandes emoções. Ele busca criar algum elo com o pessoal de lá, mas parece distante de todos, com o coração pertencendo ao Brasil. O que o impacta de vez é o retorno surpreendente de Ayrton, agora alguns anos mais velho e com repúdio do irmão. Antes o via como um super herói que nunca morreria, mas após todos os acontecimentos, passa a vê-lo como um homossexual fraco que fugiu com o primeiro parceiro que apareceu. Aos poucos começa a restabelecer uma relação mais afetiva, tentando compreender o lado de Donato. Este se sente culpado por tudo que ocorreu a sua família ao deixar o Brasil e busca reatar os laços com seu último parente próximo. Essa união traz a presença de um antigo ser do passado, Konrad, que busca se estabelecer como um pai para o jovem. Mesmo vivendo loucamente nas noites de Berlim, sempre é salvo pelo alemão e trazido aos cuidados do irmão. O trio passa a viver emoções mais fortes juntos, seguindo um caminho de liberdade, em que ambos buscam fugir de seu passado e seguir um novo caminho nas estradas desconhecidas da vida.

pr1

A ideia em si do longa propõe um grande roteiro com personagens marcantes, e completamente humanos. Porém, o diretor não soube expressar essas qualidades de forma adequada aos olhos do espectador. Trouxe a tona, um homem gay que duvida de si mesmo, sem saber o que pode acontecer no amanhã. Essa figura perde, em certo momento, seus traços de forasteiro apaixonado para ficar marcado como um brasileiro qualquer perdido no exterior. A promessa do filme se encontra no personagem de Ayrton, mostrando um jovem rebelde e sem causa, que teve uma grande ferida no relacionamento com seus familiares e busca remodelar sua vida. Até certo ponto, ele permanece nesse contexto, mas conforme segue, ele começa a agir sem sentido e com atitudes que fogem da temática do roteiro. Wagner Moura, sempre dedicado a qualquer papel que faz, carece de detalhes, antes tão marcantes, para ficar preso a um personagem nota 7. Ele tenta ir além de toda aquela figura, mas a história o impossibilita de tal, dando foco a assuntos menos importantes. A fotografia merece notoriedade a partir do momento que se apresenta na Alemanha, mostrando cenas belas e cenários urbanos, mas sem a loucura da cidade. Percebe-se em certas cenas, a carência de maior equipamento técnico e uma locação mais especializada, que acabam afetando a mesma. O lado bom de tudo isto, está na prova que o cinema brasileiro pode evoluir e tem diretores prontos para isso. Ele quer chegar a um padrão mais intelectual, próximo do europeu. Seu valor está nessa busca de uma notoriedade diferenciada, mas acaba se perdendo graças a fraqueza de sua técnica e direção. Possivelmente, o diretor Karim Ainouz chame a atenção num próximo trabalho de forma mais positiva. Ele parece estar em um caminho inovador para com o cinema do século 21, mas ainda possui certas dificuldades que devem ser contornadas com o tempo. Praia do Futuro nos apresenta uma história do futuro, que nos levam a viver com personagens diferentes e não caricatos. Porém, não prende a atenção como outros filmes do gênero e acaba por se perder na prateleira de certas obras nacionais.

pr2

 

Diretor: Karim Ainouz

ProdutorKarim Ainouz

Roteirista: Karim Ainouz e Felipe Bragança

Atores: Wagner Moura, Clemens Schick e Jesuita Barbosa

AVALIAÇÃO FINAL:

6

TRAILER:

Godzilla (2014)

Godzilla-Teaser-Poster-2

Uma obra prima do cinema japonês trazida às telas como um fantástico blockbuster. Godzilla marca os olhos dos espectadores não pelos efeitos especiais de ponta ou cenas marcantes com um jogo sonoro estonteante, mas sim pelo seu próprio roteiro e a forma inovadora como foi colocado a amostra. O filme gira em torno do assunto mais marcante do última século: as bombas nucleares e suas devastações para com a humanidade. Dado um apanhado de filmagens de época para mostrar como eram testados os mecanismos de guerra, junto a estudos científicos de criaturas jurássicas possivelmente vidas, apresentam para o público uma pequena história mostrando um lado educacional provando a possibilidade da existência desse ser. Conforme segue a história, somos apresentados à família de Joe Brody, um cientista americano voltado para estudos nucleares em uma usina no Japão. Após um grande desastre que leva a vida de sua esposa e destrói uma cidade inteira, Joe se isola de seu filho, buscando apenas descobrir a causa de todo o seu sofrimento. 15 anos se passam e seu filho, Ford, volta como um desarmador de bombas da marinha para tirá-lo da cadeia. Conforme segue, descobrem que realmente existia alguma atividade suspeita nas antigas instalações da usina, ocasionando um novo desastre surpreendente que traz a tona uma criatura monstruosa de centenas de metros chamada MUTO, que ataca a todos na área e foge do local em busca de radioatividade, sua principal fonte de alimento. Ela parte para o seu novo destino de destruição, o Havaí. Porém, surpreendentemente renasce das profundezas do mar, a criatura mítica, que antes acreditavam ter sido extinta com uma bomba nuclear nos anos 50, Godzilla. Este parte contra o outro gigante e ambos travam uma batalha impactante que acaba com todo a cidade local. Assim, a mídia e os noticiários se alarmam, repassando as imagens para todos, que buscam se refugiar. Mas nada adianta, sendo que ambos seguem seu confronto em direção ao litoral dos Estados Unidos, começando por Las Vegas e indo até a Califórnia. Descobrem, então, a existência de um outro ser MUTO, dessa vez uma fêmea. A nova missão dos militares é exterminar os filhotes da criatura mãe e colocarem um fim no rastro de atrocidades deixado pelos monstros. O que se segue é o confronto mais emocionante exposto nas telas de cinema entre seres gigantes presenciado nos ambientes usuais dos filmes: cidades americanas.

god1

O jovem diretor Gareth Edwards espanta aqueles que pouco esperam de mais uma série da coletânea japonesa. Ele brinca com a percepção e o som, sendo visto os seres de baixo, como se fôssemos formigas. O uso de 3D marca uma grande história do início ao fim, sendo que os detalhes gráficos de cada criatura que mais chocam. A beleza como foi colocado as figuras caricatas, parecidas com as primeiras criadas na época do primeiro filme Godzilla. Mesmo com atuações pouco chamativas, excluindo a pequena aparição de Bryan Cranston, que é sempre uma obra prima, a trama segue bem chamativa e aprisiona a atenção do espectador. Você chega a ponto de torcer por uma das criaturas desde o primeiro combate. Elas passam a ser vistas como personagens dentro do meio “humano”, e não monstros que querem colocar um fim na Terra. Em um ponto do filme, você percebe uma ligação entre o próprio Godzilla com o personagem Ford, sendo que ambos estão ambientados como heróis, que devem cumprir seu papel de salvar o dia mesmo custando as suas vidas. O sempre deixa a desejar é a forma como é colocada a destruição, onde em um momento a cidade não passa de poeira e restos de prédios, e no outro, todos estão bem e sem nenhum problema sério, seguindo a vida como se nada tivesse acontecido. Fora isso, tudo se torna impecável, desde uma edição de ponta que não tira a atenção em nenhum momento das cenas até a mixagem do áudio de forma espetacular, com novos estilos de sons emitidos pelas criaturas. Por fim, Godzilla mostrou-se um filme de grande valor para com a arte do cinema oriental, e até mesmo, ocidental. Vale a pena conferir nos cinemas essa peça marcante em 2014 como um dos grandes longas produzidos. A promessa foi cumprida e o que nos apresentam vale cada centavo do ingresso.

god2

Diretor: Gareth Edwards

ProdutorThomas TullJon Jashni, Mary Parent e Brian Rogers

Roteirista: Max Borenstein

Atores: Aaron Taylor-Johnson, Ken Watanabe, Elizabeth Olsen, Juliette Binoche, Sally Hawkins e Bryan Cranston

AVALIAÇÃO FINAL:

8

TRAILER:

Yves Saint Laurent (2014)

esq-yves-saint-laurent-movie-poster-xl

A moda renasce nas mãos do diretor, Jalil Lespert, e conta os anos dourados de um dos grandes ícones desse segmento. Yves Saint Laurent vai além das marcas de roupas, bolsas e perfumes. Um jovem criador que conseguiu chegar ao topo com apenas 21, seguindo como diretor de criação da Christian Dior. Após ser chamado para servir o exército, sofre uma crise nervosa e internado em um hospital psiquiátrico. Porém, quando deixa o local, descobre que foi  demitido da empresa. Yves procura a ajuda de seu companheiro, Pierre Bergé, um mestre dos negócios, e juntos fundam independentemente uma das marcas mais populares do século. O filme segue mostrando como se segue a vida do estilista, cercada de drogas, festas de alto escalão, romances conflituosos e inúmeras inspirações para a moda. O jovem começa a sair de seu casulo e se torna uma grande figura no meio, sendo respeitado por toda classe que valoriza a alta costura. Ano após ano, a história segue de forma pesada, como se algo de ruim fosse acontecer a qualquer momento. Tudo podia desabar e acabar com o império Yves Saint Laurent. Mas graças a Pierre e sua visão para o lucro, o ícone se mantém. O resultado de toda essa obra histórica você vê atualmente nas vitrines das lojas mais chiques do mercado.

Y1

O longa apresenta um amplo leque de toques artísticos e fotográficos desenvolvidos especialmente para o tema. As roupas são recriadas nos mínimos detalhes, assim como foram feitas na época. O traço de Yves acaba por voltar à vida e se mostrar diante das telas como o do próprio artista. Sua forma de atuar é impactante a ponto de prender o espectador. Além de uma escolha de cores fenomenal para cada cena, eles recriam os desfiles de moda como se parasse no tempo e voltassem 50 anos atrás. A visão de Jalil Lespert se torna definitiva ao trabalhar com uma figura importante para muitos, de forma séria e artística. Ele saber dirigir seus personagens, e os estabelecer em cenas, momentos, sentimentos que muitos outros diretores possuem dificuldade. Seu primeiro filme acaba por se tornar um marco do cinema francês e a abertura das portas da sétima arte para com o mundo da moda. Não existe limites para com um grande roteiro e grandes atores. Mesmo desconhecido por muitos, esse personagem deve se tornar mais chamativo  a partir de agora e ganhar seu respectivo lugar na prateleira das grandes biografias.

Y2

Diretor: Jalil Lespert

Produtor: Yannick Bolloré e Wassim Béji

Roteirista: Jacques Fieschi, Jalil Lespert, Jérémie Guez e Marie-Pierre Huster

Atores: Pierre Niney, Guillaume Gallienne, Charlotte Le Bon, Laura Smet e Marie de Villepin

AVALIAÇÃO FINAL:

9

TRAILER:

A Caça (2012)

jagten_xlg

Um espetáculo que mostra a verdadeira fragilidade do caráter das pessoas e o agonizante julgamento do homem. As coisas pareciam seguir bem alegres para Lucas, um professor de jardim de infância, amado por todos os seus alunos. Mas sua vida pessoal passava por maus bocados, enfrentando um divórcio e a guarda do filho com sua ex-mulher. Quando recebe a boa notícia que o garoto decide viver com ele, sua ânimo muda e começa a ver tudo de forma mais positiva. Ao mesmo tempo que ganha de um lado, perde de outro, ao passo que é falsamente acusado de abuso sexual por uma de suas alunas, que tinha uma queda por ele. Logo, todos os seus colegas de emprego o encaram como um bandido e decidem expulsá-lo da escola. Sem entender o que está ocorrendo, mesmo estando a parte da situação, Lucas se vê diante do isolamento por parte de todos aqueles que antes eram próximos. Até mesmo seu filho sofre as consequências quando decide visitá-lo, sendo um dos únicos a ver o pai como vítima e não o culpado. Após inúmeras situações humilhantes em sua vida, o professor procura o seu melhor amigo, pai da suposta garota abusada, e lhe mostra a sua face com todo o sofrimento pelo qual vem passando. Ela acaba confessando ao pai que tudo tinha sido invenção e que na verdade o homem nunca tinha feito nada com ela. Assim que todo o conflito diminui de proporção, todos os amigos voltam a se reunir para comemorar a licença de caça do filho de Lucas, que ao se aventurar pela primeira vez ao lado do filho é recebido com uma violenta surpresa.

c1

Thomas Vinterberg possui grande fama por ser um dos pioneiros na divulgação do estilo Dogma 95, junto de cineasta como Lars Von Trier. Ele trabalha com uma forma de cinema sem efeitos especiais ou cenas de ação, mas sim o conflito interno de cada personagem que acaba se transpondo para a platéia. Esse efeito causa uma explosão de emoções que por conseguinte levam a um sentimento de estar presente junto a trama. Somos levados por um roteiro totalmente manipulador e auto destrutivo, em que leva o seu personagem principal ao ápice da desgraça e sofrimento. Aos poucos ele vai tirando tudo que há de bom em sua vida e começa a voltar-se o mundo contra si, parecido com os contos de Nelson Rodrigues. Graças a um ator exímio, com um padrão de atuação totalmente marcante, podemos sentir a dor da pessoa. Mads Mikkelsen não é apenas uma simples vítima do destino nessa obra, mas uma prova viva de podemos destruir até mesmo os que mais amamos por causa de um falso pré-julgamento. Esse filme não merece nada menos que uma medalha de ouro, sendo uma das obras mais marcantes dos últimos anos.

c2

Diretor: Thomas Vinterberg

Produtor: Morten Kaufmann, Sisse Graum Jørgensen e Thomas Vinterberg

Roteirista: Tobias Lindholm e Thomas Vinterberg

Atores: Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Alexandra Rapaport, Annika Wedderkopp e Lars Ranthe

AVALIAÇÃO FINAL:

10

TRAILER:

Branca de Neve (2012)

Poster-oficial-Blancanieves

Uma atualização do conto de fadas original dos irmãos Grimm com um toque da cultura espanhola. Antonio Villalta, um grande torero conhecido por suas habilidades em dominar a touro como se fosse uma pluma, acaba sofrendo um acidente por conta do flash de uma câmera. Após ser atacado ferozmente pela fera, ele é hospitalizado, junto com sua mulher que está grávida e prestes a ter o bebê. Tudo desagua num drama em que a jovem Carmen perde a vida dando a luz para a sua filha, que por vez, tem seu pai tetraplégico e sob os cuidados de uma enfermeira de falso caráter. Muitos anos se passam e o bebê cresce, se tornando uma menina inteligente e brincalhona. Ela vive sozinha com a vó, pois acredita ter sido abandonada pelo pai, sonhando em revê-lo algum dia. Sua vida segue feliz, até o momento em que a última parente conhecida morre, a deixando sob os cuidados da madrasta. Se muda para uma mansão sombria, onde é forçada a morar em um quarto sujo, similar a estábulo. Recebe as piores tarefas do local, trabalhando incansavelmente como se fosse uma reles empregada. Acaba por descobrir o local da casa onde ficava seu pai e reata suas relações e formam uma grande amizade. Antonio a treina pontualmente para aprender os aspectos de um verdadeiro torero, mostrando seus segredos em cada passo e olhar durante o espetáculo. Conforme a garota cresce, seu pai também se vai em um acidente forjado pela madrasta e logo, ela é expulsa do local e mandada ser morta por seu fiel ajudante. Ele tenta de tudo para completar a ordem, afogando, por fim, a jovem, que é encontrada na floresta por um grupo de anões. Quando reanima, descobre que foi acolhida na casa de anões toreros, o que a leva a seguir novamente o seu destino. Se torna uma profissional de fama nos campos da Espanha e ganha platéias gigantes lotando estádios. Em seu principal show, enfrenta o touro mais selvagem e monstruoso de todos com facilidade, em que é aplaudida por todos. Porém sua madrasta descobre a sua existência e vem a lhe oferecer uma maça envenenada como prêmio pela vitória. A jovem desconhecendo o perigo, dá uma mordida e cai em um sono profundo. Seus amigos tentam salvá-la, mas já era tarde. Acabam montando um circo dos horrores, colocando Branca de Neve como a atração principal, em que a platéia pode vir a beijá-la, com o intuito de despertar de seu sono.

b1

Mesmo sombrio em cada detalhe, o longa é diferente por ser uma obra completamente em preto e branco e muda. Porém, esse fato acaba se tornando imperceptível conforme segue a história, por ser muito envolvente e penetrar o público de forma hipnotizante.  Sua fotografia é fantástica, misturando aspectos artísticos e mensagens sublinares em várias cenas. O preto acabando dando mais alma para os personagens, em que o enfoque de luz se torna a expressão principal. Cada um tem papel especial no filme, se parecendo como peças de xadrez em um tabuleiro. Sabemos qual será o desfecho da história, mas o diretor tem sempre uma forma de nos enganar e trocar por algo mais chocante. Ele brinca com as relações familiares e transpõe os papeis da jovem Branca de neve em inúmeros grupos sociais, no qual vai se estabelecendo. A atriz principal ganha as telas com sua face angelical, com olhos penetrantes e marcantes como os de seu pai e dos touros ao qual enfrentava. O segredo estava por trás de seus olhares, mesmo alguns, como a madrasta, o esconderem através de suas roupas extravagantes e emoções negativas. Esse filme segue o mesmo padrão do ganhador do Oscar, O Artista, unindo as características do cinema antigo com cortes modernos e uma câmera mais rápida, dada o estilo americanizado. O seu trunfo está na forma como uniu a trama a bela fotografia, seguindo uma história bela com um toque de sombrio.

b2

Diretor: Pablo Berger

Produtor: Pablo Berger, Ibón Cormenzana e Jérôme Vidal

Roteirista: Pablo Berger

Atores: Maribel Verdú, Macarena García, Ángela Molina, José María Pou e Daniel Gimenez Cacho

AVALIAÇÃO FINAL:

8

TRAILER:

O Homem de Aço (2013)

man.of.steel.poster

Super-Homem renasce nas mãos do visionário Zack Snyder. Seguindo fielmente as HQs do herói, ele contou de forma não linear o crescimento de Clark Kent até sua transformação em salvador do planeta. Mostra o fim de Krypton, com toda a extinção de sua raça e a traição de Zod, que o leva ao aprisionamento eterno. Com o tempo, Clark cresce como um garoto diferente que esconde um passado inimaginável para as pessoas, mas tem de conviver com essa chaga durante toda sua vida. Ao invés de procurar seguir uma carreira normal como os outros, ele vai para o Alasca trabalhar com pesca. Seu destino muda a partir do momento que se opõe a figura de forasteiro misterioso e se torna um super herói salvando tripulantes de base petrolífera em chamas. Logo, os olhos da mídia e de Lois Lane se voltam para o seu ato e os militares americanos começam a buscar onde fica sua origem alienígena. Tudo se choca quando Zod reaparece na Terra em busca do último filho de Krypton, dando sua cabeça a prêmio como recompensa de não destruir o mundo. Quando ele se volta contra o inimigo, o caos ganha enormes proporções e o Kansas vira palco de uma batalha gigantesca, onde sua maioria é destruída ou sugada pela nave alienígena durante o confronto. O homem de aço tem de decidir reconstruir sua raça ou salvar os humanos, e, para isso precisará enfrentar o maior desafio de sua existência até o momento.

4

Zack Snyder é, sem dúvidas, o futuro do cinema blockbuster. Ele consegue captar as ações de cada personagem e uní-las à trama de forma que o enredo se torne mais realístico possível e envolvente. Assim, procurou dar um ar mais messiânico para Clark, ao mesmo tempo que o dividia entre a face de ser um terráqueo mortal. Para contar essa história, não poupou em efeitos especiais de tirar o fôlego e uma trilha sonora emocionante que se ligava perfeitamente com cada cena. As que haviam lutas, pararam a platéia completamente e chocaram com inúmeras explosões, pancadaria e pouco diálogo clichê, durante todo o final do filme se manteve assim e concluiu de forma aceitável para o fim de uma jornada e o início de outra. Sob o olhar de Christopher Nolan, soube colocar detalhes mais chamativos ao filme do que suas obras anteriores, tornando a trama mais mistificada em diferentes momentos. Porém, como nada é perfeito, teve grandes falhas ao conduzir uma história de super herói com muita imaginação e fantasia, sem colocar os pés no chão como foi feito em Batman. O roteiro acaba por ser pouco convincente e repetitivo em certas partes que deveriam ter maior valor para o andamento do contexto geral. Mesmo assim, não deixa de ser o melhor filme do gênero do ano e merece respeito por ter mostrado o crescimento do diretor perante as telas.

3

Diretor: Zack Snyder

Produtor: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas e Deborah Snyder

Roteirista: Christopher Nolan e David S. Goyer

Atores: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Diane Lane e Laurence Fishburne

AVALIAÇÃO FINAL:

7

TRAILER:

Ferrugem e Osso (2012)

De rouille et d'os

O drama vivido por dois personagens com marcas do passado que acaba por uní-los. Os primeiros minutos apresentam uma obra totalmente oposta do que irá conduzir até o fim. Um pai desempregado e seu filho buscam sobreviver em uma França com ar mais sombrio, marcada por um povo de classe econômica baixa. Ele procura juntar restos de comida ou até mesmo roubar para não passar fome e criá-lo após ter sido abandonado pela mãe. Assim, sua única opção é morar num quartinho na casa da irmã. Ali começa a luta em busca de emprego e acaba encontrando um na área de segurança de boate, graças a sua experiência com o boxe e um porte avantajado. Após uma briga no local, acaba conhecendo Stephanie, assumindo uma relação logo no primeiro momento que leva a deixar seu telefone caso ela precisasse de algo. O destino muda o rumo deles e causa um desastre na vida da jovem, treinadora de baleias num parque aquático, que perde ambas as pernas após um acidente durante o show. Imersa em uma profunda depressão, ela acaba ligando para Ali com o intuito de alguém que a ajudasse a se locomover. Tudo leva a uma parceria com pouco romance, apenas a amizade acarretada graças as dificuldades de cada um. Logo, ambos vêem uma chance de ganhar dinheiro nas brigas ilegais de rua e o seu futuro leva a uma transformação de vida radical que mostrará o verdadeiro significado do amor.

fer1

Por ser um filme frânces, sua temática não envolve nenhum romance entre personagens cegamente apaixonados, mas um drama que mistura a realidade com o fantástico. O relacionamento entre eles é parecido com as ideologias existencialistas, em que homem e mulher não devem se apegar emocionalmente e seguir seu caminho mesmo com o julgamento da sociedade. Ambos os personagens deixam o público perplexo com sua forma de interação e a maneira como encaram os desafios expostos pelo caminho. Além de estarem sempre ligados à fortes emoções que atingem as pessoas como nenhum outro filme, desde angústia até o sentimento mais profundo de dor. O cume da parte estética está nos efeitos especiais, em que conseguiram literalmente amputar as pernas da atriz, sem deixar nenhum marco de edição digital, parecendo ser mais real ainda. Isso cria um sentimento de angústia a quem vê, como se pudesse entrar na pele dela e perceber como o mundo olha “torto” para si. Ele é magnífico em todos os detalhes, com um roteiro há muito tempo não visto no cinema europeu, e com peças de tabuleiro que dão um xeque mate em qualquer obra original de Hollywood.

fer2

Diretor: Jacques Audiard

Produtor: Jacques Audiard, Martine Cassinelli e Pascal Caucheteux

Roteirista: Jacques Audiard e Thomas Bidegain

Atores: Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Armand Verdure e Corinne Masiero

AVALIAÇÃO FINAL:

9

TRAILER: