Rastros de Ódio (1956)

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A busca mais envolvente de todo o faroeste sob o comando do iniqualável John Wayne. Ethan Edwards volta para a casa de seu irmão após um longo e turbulento período de guerras. Ele se depara com uma típica família americana feliz, formada por marido e mulher além de seus filhos, duas meninas e dois meninos, sendo que odeia um deles por ter origem indígena. Após uma busca junto do capitão Samuel atrás do paradeiro das vacas de um morador local, ele retornam para a casa e vêem tudo destruído e queimado. O atentado tem sua origem pelo grupo dos índios Comanches, que não deixaram nada sobrando, matando todos os parentes de Ethan e sequestrando sua sobrinha. Então, decide ir em busca dos culpados, sendo acompanhado pelo sobrinho que tinha repúdio, Martin Pawley, mesmo contra seu favor. Os dois passam anos atrás da jovem, enfrentando inúmeras aventuras e conflitos entre ladrões e pessoas da região. Após se cansarem das longas jornadas solitárias no meio do deserto dos Estados Unidos, procuram voltar para seus conhecidos. Martin descobre que sua acabada iria se casar com um “pé rapado” da região e inicia uma briga que acaba por colocar um fim na cerimônia. Eles terminam tudo em aperto de mão e risadas, sendo o capitão um dos presentes na festa. Quando finalmente descobrem o paradeiro da tribo de índios terrorista e seu chefe, Scar, montam um grupo de rangers para atacá-los e colocar um fim naquele rastro de destruição. O jovem mestiço encontra sua sobrinha e, num instante de sorte, consegue matar o principal bandido do grupo, tendo seu escalpo arrancado por Ethan. Mesmo sob sua ameaça de colocar um fim na sobrinha, por ter sido feita uma lavagem cerebral nela e se tornado uma índigena, termina a carregando no colo e levando de volta para casa sob sua proteção.

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Mesmo sendo visto como o melhor do gênero western, o filme ainda possui muitas falhas. O conflito é marcado por um inimigo que surge do nada, sem nenhum motivo óbvio para realizar suas ações de massacre. John Wayne acaba se tornando o anti herói que busca apenas a morte e desgraça, nada além disso. Sua atuação é, sem dúvida, fantástica em cada momento, desde que mantém uma face sem emoções até o seu jeito único de manipular uma arma em meio a um tiroteio. Ele seguiu fielmente seu personagem, mostrando a figura de um patriota que sabe evidenciar sua figura máscula de caubói. A falha está na história em que segue, sendo sem um ideal preciso a se seguir. Tanto ele como outros na trama parecem meros imbecis correndo pelo deserto a cavalo, sem nenhum plano em mente, apenas com o propósito de matar índios. Os filmes da época possuíam essa falsa ideologia do índio americano como o inimigo número um dos civis. Algo tão estúpido e sem bases históricas que é repassado no cinema tem seu valor perdido por transmitir uma mensagem errônea. O que falta é uma trama mais decente, sendo pouco aproveitado o verdadeiro valor do papel de John Wayne em suas cenas mais chocantes.

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Diretor: John Ford

Produtor: Cornelius Vanderbilt Whitney

Roteirista: Frank S. Nugent

Atores: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles e Ward Bond

AVALIAÇÃO FINAL:

6

TRAILER:

Juventude Transviada (1955)

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A era da rebeldia nasce sob o comando do personagem Jim Stark, um jovem que procurava estabelecer suas próprias regras fora da guarda dos pais. O rapaz se muda para uma nova sociedade junto a sua família, graças às confusões que se metia e que eram acobertadas por ela. Já começa com fama de arruaceiro ao ser preso por vagabundear bêbado pelas ruas. Após uma profunda conversa com o representante do juizado de menores, ele explica que a origem de toda sua raiva era pelo comportamento dos pais, sendo que ambos trocavam seu papéis na visão do jovem. Um tempo depois, embarca em um novo colégio e já ganha novas inimizades, que o perseguem até uma visita ao planetário, onde finalmente decidem resolver o confronto em uma corrida de carro. Jim aceita o desafio e acaba vencendo, porém seu competidor não consegue escapar do carro a tempo e cai do penhasco. Após sua morte, todos os seus companheiros perseguem o rapaz com medo que ele os delate para a polícia. Infeliz com o seu comportamento junto da reação de seus pais, ele procura a namorada de seu ex-concorrente, traçando uma nova amizade. Ambos vão atrás de aventura no planetário, invadindo o local à noite. Quem os acaba seguindo é o amigo com comportamento psicopata, Plato, que leva toda a culpa pela confusão e termina sendo morto pela polícia.

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O filme é um marco da época que mudou completamente o comportamento dos jovens, levando a uma nova geração mais rebelde. James Dean se tornou o ator símbolo de todo esse movimento, traçando sua ideologia e formando uma nova legião de fãs. O que assusta é a forma psicológica dos personagens da época de agirem. Eles tinham uma visão totalmente revolucionária comparada aos dias atuais, pois tinham o intuito de se desprenderem de seus pais, para ganharem maior independência. Nada é por acaso na obra, cada um merece destaque graças aos seus problemas com os parentes, que os levam a se tornarem transviados. Esse fato é bem trabalho pelo roteiro, destacando os conflitos de cada jovem, deixando claro que nem todos são felizes. O resultado de tudo isso é uma ficção com particularidades semelhantes a vida real, o que marcou mais ainda aos espectadores; isso destaca esse trabalho e o tira da lista de blockbusters para a de clássicos do cinema.

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Diretor: Nicholas Ray

Produtor: David Weisbart

Roteirista: Stewart Stern e Irving Shulman

Atores: James Dean, Natalie Wood, Sal Mineo, Jim Backus, Ann Doran e Corey Allen

AVALIAÇÃO FINAL:

8

TRAILER:

Morangos Silvestres (1957)

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O passado volta para atormentar até mesmo os mais nobres, mostrando também que a vida não é feita de aparências. Sob o olhar de Isak Borg, é contada uma breve história de sua família, nos apresentando como uma relação perfeita entre filhos e pais. Ele se apresenta como um doutor de sucesso que sempre se focou em sua carreira, tanto que irá receber um prêmio de valor da Universidade de Lund. Porém, alguns dias antes de viajar para o local, começa a ter pesadelos muito estranhos envolvendo a si mesmo. Não leva isso em conta e segue seu caminho na estrada viajando de carro junto de sua nora, Marianne. Em sua conversa, ela alega ter sido tratada de forma desigual e sem valores por ele, assim como fez com todos ao seu redor. O velho não acredita no que está ouvindo, mas não parece se importar muito. Conforme param pela estrada, Isak se depara com sua antiga casa de verão, onde passou muito tempo junto de sua família. Começa, então, a ver o passado e todos os conflitos que seu primos e sua amada viviam pelas suas costas, descobrindo mais ainda sobre seu caráter. Quando volta ao normal, retoma a viagem e encontra um trio de jovens aventureiros pedindo carona. Parece se animar com a idéia, logo aceitando sua companhia junto no carro. Eles vão animando com suas histórias, músicas e algumas brigas, mas sempre colocando o humor do doutor para cima. Acabam cruzando com um casal que vive brigando, e isso tem de incomodar a todos, tanto que acabam sendo expulsos do carro. Assim, ele percebe que tudo pelo que passava é uma lição de vida sobre como atuava de forma drástica com as pessoas; isso o leva a ter pesadelos mais sombrios, até mesmo com sua ex-mulher. Tudo culmina em sua consciência no dia em que vai ser condecorado. Isak tenta rever seu caráter pelos erros que cometeu, mas vê que não consegue mudar muitas coisas, apenas sendo visto como em estado de doente. A última visão que tem é o tempo em que pescava com seu pai, ambos sozinhos deixando todos os problemas para trás.

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Por ser produzido há muito tempo atrás, o filme possui um seguimento muito lento e, algumas vezes, cansativo. Com seu ar de assombração, parece estar sempre diante de um pesadelo ou sonho, não sabendo quando o personagem está realmente vivendo o momento. O roteiro tem mais peso que seus personagens, por contar uma história diferenciada que não envolve explicitamente nenhum romance ou um suspense policial, apenas as memórias de um velho. A estrada acaba sendo uma lição de vida para que apresentamos como se estabelece o crescimento dele, desde suas memórias joviais até sua relação com a esposa. Com técnicas de corte ainda pouco trabalhadas como as de Hollywood, suas transposições em algumas cenas parecem ter sido feitas de forma amadora. Além de um tema em preto e branco com uma trilha sonora bem relacionada, seu andamento se torna pouco atraente para um público menos conhecedor do cinema de Ingmar Bergman. Percebe-se suas idéias magníficas em recriar um conto fora do contexto padronizado pelas obras da época, mas foi infeliz na escolha de alguns atores, parecendo cômicos em momentos inoportunos. Morangos Silvestres é valioso para o desenvolvimento de trabalhos futuros envolvendo o pensamento de personagens, mas ainda peca em muitos fatores técnicos; merece, por fim, respeito pela sua fotografia e diálogos únicos que apenas um dos mestres da sétima arte poderia criar.

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Diretor: Ingmar Bergman

Produtor: Allan Ekelund

Roteirista: Ingmar Bergman

Atores: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand e Jullan Kindahl

AVALIAÇÃO FINAL:

7

TRAILER: