Morangos Silvestres (1957)

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O passado volta para atormentar até mesmo os mais nobres, mostrando também que a vida não é feita de aparências. Sob o olhar de Isak Borg, é contada uma breve história de sua família, nos apresentando como uma relação perfeita entre filhos e pais. Ele se apresenta como um doutor de sucesso que sempre se focou em sua carreira, tanto que irá receber um prêmio de valor da Universidade de Lund. Porém, alguns dias antes de viajar para o local, começa a ter pesadelos muito estranhos envolvendo a si mesmo. Não leva isso em conta e segue seu caminho na estrada viajando de carro junto de sua nora, Marianne. Em sua conversa, ela alega ter sido tratada de forma desigual e sem valores por ele, assim como fez com todos ao seu redor. O velho não acredita no que está ouvindo, mas não parece se importar muito. Conforme param pela estrada, Isak se depara com sua antiga casa de verão, onde passou muito tempo junto de sua família. Começa, então, a ver o passado e todos os conflitos que seu primos e sua amada viviam pelas suas costas, descobrindo mais ainda sobre seu caráter. Quando volta ao normal, retoma a viagem e encontra um trio de jovens aventureiros pedindo carona. Parece se animar com a idéia, logo aceitando sua companhia junto no carro. Eles vão animando com suas histórias, músicas e algumas brigas, mas sempre colocando o humor do doutor para cima. Acabam cruzando com um casal que vive brigando, e isso tem de incomodar a todos, tanto que acabam sendo expulsos do carro. Assim, ele percebe que tudo pelo que passava é uma lição de vida sobre como atuava de forma drástica com as pessoas; isso o leva a ter pesadelos mais sombrios, até mesmo com sua ex-mulher. Tudo culmina em sua consciência no dia em que vai ser condecorado. Isak tenta rever seu caráter pelos erros que cometeu, mas vê que não consegue mudar muitas coisas, apenas sendo visto como em estado de doente. A última visão que tem é o tempo em que pescava com seu pai, ambos sozinhos deixando todos os problemas para trás.

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Por ser produzido há muito tempo atrás, o filme possui um seguimento muito lento e, algumas vezes, cansativo. Com seu ar de assombração, parece estar sempre diante de um pesadelo ou sonho, não sabendo quando o personagem está realmente vivendo o momento. O roteiro tem mais peso que seus personagens, por contar uma história diferenciada que não envolve explicitamente nenhum romance ou um suspense policial, apenas as memórias de um velho. A estrada acaba sendo uma lição de vida para que apresentamos como se estabelece o crescimento dele, desde suas memórias joviais até sua relação com a esposa. Com técnicas de corte ainda pouco trabalhadas como as de Hollywood, suas transposições em algumas cenas parecem ter sido feitas de forma amadora. Além de um tema em preto e branco com uma trilha sonora bem relacionada, seu andamento se torna pouco atraente para um público menos conhecedor do cinema de Ingmar Bergman. Percebe-se suas idéias magníficas em recriar um conto fora do contexto padronizado pelas obras da época, mas foi infeliz na escolha de alguns atores, parecendo cômicos em momentos inoportunos. Morangos Silvestres é valioso para o desenvolvimento de trabalhos futuros envolvendo o pensamento de personagens, mas ainda peca em muitos fatores técnicos; merece, por fim, respeito pela sua fotografia e diálogos únicos que apenas um dos mestres da sétima arte poderia criar.

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Diretor: Ingmar Bergman

Produtor: Allan Ekelund

Roteirista: Ingmar Bergman

Atores: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Gunnar Björnstrand e Jullan Kindahl

AVALIAÇÃO FINAL:

7

TRAILER:

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